Martinho Lutero

 
 
 
 
 

Martinho Lutero e sua História

         Martinho Lutero nasceu a 10 de novembro de 1483 no centro da Alemanha, em Eisleben, Turíngia/Alemanha. Seu pai, João com 23 anos e Margarida com 20 anos, receberam seu primeiro filho com imensa alegria. Ainda não podiam imaginar que tesouro para toda a cristandade e para o mundo Deus lhes havia deitado nos braços.
          Eram pobres - João era mineiro e lenhador - porém não iletrado, de modo que puderam dar-lhe boa orientação educacional. Como a grande maioria dos seus contemporâneos, também João e Margarida Lutero eram cristãos praticantes. Logo no dia seguinte ao nascimento, mandaram batizar seu bebê na igreja de São Pedro e São Paulo, que ficava à porta da sua casa. O nome de Martinho Lutero foi assim dado em memória dedicada ao santo do dia, 11 de novembro.
          Visando a melhorar a vida econômica, fixaram residência, em 1484, em Mansfeld, onde Martinho iniciou seus estudos. No inverno, muitas vezes, um aluno mais velho o carregava através da neve. Martinho nunca lhe esqueceu tamanho favor. Meio século depois, em 1544, escreveu na bíblia deste seu amigo de infância, chamado Nicolau Oemler, e então já seu cunhado, a dedicatória: “Ao meu bom e velho amigo , Nicolau Oemler, que me carregou a mim, garotinho, mais do que uma vez nos seus braços para a escola e da escola para casa, não sabendo ainda que um cunhado carregava o outro”.
          Infelizmente Lutero receava ir à igreja. É que dos púlpitos se não anunciava o bondoso Salvador a convidar: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. Declarou mais tarde: “Desde a infância foi habituado a empalidecer e a estremecer diante da simples enunciação de nome de Cristo, porquanto não fui instruído senão a olhá-lo como juiz severo e iracundo”.
          Terminando o curso da escola daquela localidade, então com 14 anos, deixou a casa paterna e ingressou na escola superior de Magdeburgo. Depois de um ano ali, teve que retornar à casa paterna acometido de grave enfermidade, indo por esta razão, no ano seguinte, estudar em Eisenach. A senhora Úrsula Cotta ouvindo a bela voz de Martinho, compadeceu-se dele e o recebeu no seu lar. Livre de preocupações quanto ao seu sustento, passou ele a consagrar-se de corpo e alma aos seus estudos. A família cultivava a música e com isso Martinho aprendeu a tocar alaúde. Três anos cursou o colégio de Eisenach. Despediu-se com profundo pesar da família Cotta, em cuja casa havia encontrado um segundo lar.
          Em 1501 ingressava na Universidade de Erfurt, cidade conhecida como "Roma Alemã" pelo número de suas igrejas e mosteiros, estudaria ali direito conforme a vontade do pai. Este se achava em condições de manter o filho na universidade sem este pedir pão, podendo estudar sossegadamente.
          Como estudante, Lutero não participou da vida leve de muitos de seus colegas, ao contrário, cada manhã assistiu a missa, e rezava na igreja, e no resto do dia estudava segundo o plano de estudos estabelecidos na universidade. Não deixaram de aparecer os frutos deste estudo incessante: obteve grau de Bacharel (1502) e Mestre em Artes (1505). No mesmo ano ingressou no curso de Direito.
          Duas vezes, pelo menos, durante a sua estada em Erfurt, Martinho Lutero verá de perto a morte que espreitava e atemorizava todos os seus contemporâneos. Ele a encontra pela primeira vez na Terça-feira de Páscoa de 1503, quando, partindo em direção a Mansfeld para visitar os seus pais, cai ao tentar saltar por cima de uma vala, ferindo-se com a pequena espada que carregava consigo. Levam-no para a cidade. Cuidam da sua ferida. Mas o ferimento demorará a sarar, e a convalescença proporciona a Lutero muito tempo para pensar. O segundo encontro é mais dramático, 02 de julho de 1505, regressando da casa paterna, teve sua vida seriamente ameaçada por uma tempestade que, por pouco, lhe tirara a vida. Fez, nesta oportunidade, um voto a Sant’ana que, se ele conseguisse passar por aquela tempestade vivo, ingressaria no mosteiro para tornar-se monge.
          Ali esperava encontrar paz para sua alma atribulada. Ainda não conhecia o Deus reconciliado em Cristo. Suspirou: “Quando serás bastante piedoso e farás o suficiente para conquistares a graça de Deus!” anos depois declarou: “Nem mesmo pude confortar minha alma com o meu batismo. Fomos criados sob a impressão de preceitos tais, de homens, a ponto de nos obscurecerem a Cristo e o tornarem completamente inútil.”
          Apenas 15 dias após, porém, convidou os amigos para uma festa íntima. No melhor da festa, declarou-lhes subitamente que os deixaria para sempre na manhã seguinte, entrando no convento. Os amigos não conseguiram convencer Lutero do contrário, tiveram que conformar-se com a perda de tão brilhante inteligência. No dia 17 de julho de 1505 as portas do convento fecharam-se atrás de Martinho Lutero.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Lutero entre no mosteiro dos Agostinianos(1505)

 

Sacerdote

Ao professar, fez, o tríplice voto de obediência, pobreza, e castidade. Os seus superiores desejavam que recebesse ordens maiores e fosse sacerdote. Assim em fevereiro de 1507 foi ordenado sacerdote. Vivia, no entanto, em completo desespero, buscando, dias e noites a fio, em tremendos tormentos espirituais, resposta à pergunta: "De que maneira conseguirei um Deus misericordioso?" Reconheceu muito logo que jamais seria possível obter certeza de sua salvação mediante boas obras, pela impossibilidade de saber se são suficientes, mormente em se tratando de uma alma de consciência extremamente sensível.
          No dia 02 de maio de 1507, frei Martinho deveria rezar sua primeira missa. Tremia ao se lembrar deste momento. Como poderia tomar o Santíssimo nas suas mãos! Entretanto era considerado grande honra. Comparava-se “um padre ordenado com outros cristãos comuns como a estrela dalva com um pavio a fumegar”. Acompanhado de vinte cavaleiros, o pai de Martinho havia vindo para assistir à solenidade. Não obstante muito contrariado com o passo arbitrário do filho de quem esperava um dia fosse jurista de renome, presenteou-o com vinte florins. Assentado entre gente do convento, com o seu rosto de camponês, sulcado e tostado pelos anos de rude trabalho, foi perguntado pelo filho: “Querido pai, por que vos opusestes tão severamente e com tamanha indignação ao meu desejo de entrar no mosteiro e talvez ainda neste momento continuais a não olhá-lo de muito bons olhos? É uma vida tão digna e tão divina!” O velho pai respondeu-lhe com toda a franqueza e na presença de padres, frades, ilustres mestres e doutores: “Vós doutos, não lestes nas Escrituras que devemos honrar pai e mãe? Contrário a este mandamento, me abandonaste a mim e tua querida mãe na velhice, quando já poderíamos esperar algum conforto e ajuda da tua parte depois de não termos poupado despesas com os teus estudos, indo tu para o convento contra nossa vontade.”
          Estas palavras atingiram o filho como um raio. Alegando que uma visão celeste o havia levado a tal decisão, o pai respondeu-lhe laconicamente: "Queira Deus não tenha sido aparição do diabo!”
          Frei Martinho ainda devia conhecer outra faceta da vida monacal. Com a sua doutrina da justificação pela prática de boas obras, a igreja não lhe pôde dar resposta satisfatória à pergunta de transcendental importância: De que maneira conseguirei um Deus misericordioso? Reconheceu muito logo que jamais seria possível alguém obter certeza de sua salvação mediante boas obras, pela impossibilidade de saber se suficientes, mormente em se tratando de uma alma de consciência extremamente sensível. Não obstante sua grande piedade, passava dias e noites a fio em tremendos tormentos espirituais. Na prática, os ensinamentos da igreja ultrapassavam o absurdo.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Professor

Por indicação do vigário da ordem, João de Staupitz, que reconhecia em Lutero uma erudição e inteligência incomuns, Lutero foi designado professor na Universidade de Wittenberg, fundada em 1502 por Frederico, o Sábio, duque da Saxônia e presidente dos sete eleitores civis que, juntamente com sete autoridades religiosas, elegiam o imperador do Sacro Império -Romano da Nação Alemã.
          Ocupou ali a cadeira de Teologia. Continuou também seus estudos, instruindo-se principalmente nas línguas gregas e hebraica. A 09 de março de 1509 obteve o grau de Baccalaureus Biblicus.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Viagem a Roma

Em 1511, então com 28 anos, foi enviado em missão diplomática a Roma, para solucionar uma divergência entre sete conventos de sua Ordem e o vigário geral da mesma. A corrupção, imoralidade, as zombarias, o desrespeito do clero e da cúpula da igreja para com as coisas sagradas marcaram nele uma profunda decepção. Embora profundamente entristecido, as esmagadoras desilusões sofridas não o levaram a descrer de sua igreja.
          Mais tarde frei Martinho declarou que, diante da decepção sofrida em Roma, foi induzido a conhecer o Evangelho. Quando começou a escalar de joelhos a suposta escada de Pilatos, subitamente uma voz de trovão lhe parecia dizer: “O justo pela sua fé viverá!” Afirmou que naquele tempo tudo clareou ao seu redor. Todo o cerimonial de um eclesiasticismo vazio e morto desmoronou ais seus olhos. Aquela passagem bíblica afinal trouxe paz à sua alma.

 

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Doutor em Teologia

Em maio de 1512, recebia, das mãos do decano da faculdade de Teologia, o grau de Doutor em Teologia. Assumiu, a seguir, a cadeira de Lectura in Bíblia lecionando, à base das línguas originais, o hebraico do Antigo Testamento e o grego do Novo Testamento, incorporando conquistas do humanismo na ciência da interpretação de textos. Ainda em 1512, foi eleito subprior do convento de Wittenberg. Em maio de 1515, o cabido geral reunido em Gotha o designava vigário do distrito, que compreendia onze conventos sob sua orientação e autoridade.

 

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Preleções

As suas preleções eram tão concorridas que a elas acorriam estudantes de todas as partes e países vizinhos. Os professores assistentes também aumentavam. O reitor da Universidade chegou a declarar, como que em antevisão: "Este frade derrotará todos os doutores; introduzirá uma nova doutrina e reformará toda a igreja; pois ele se funda sobre a palavra de Cristo, e ninguém no mundo pode combater nem destruir esta Palavra..."[1] . Ocupando o púlpito, a capela logo não mais podia comportar os assistentes. O senado o convidou então a ocupar a igreja paroquial da cidade.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Lutero Fazendo suas Preleções(1508)

 

Justificação pela fé

Nos seus conflitos espirituais, o texto bíblico que lhe trouxe a luz da verdade e a paz de consciência veio a ser a célebre passagem da Epístola aos Romanos (1.17), em que o apóstolo cita o profeta Habacuque: "0 justo viverá por fé" Viu que Paulo fazia do sacrifício de Cristo o centro da verdade em religião. Seus pecados, angústias, sofrimentos haviam caído sobre os ombros de Cristo na cruz; Cristo fizera o que ao pecador teria sido impossível fazer com suas penitências e méritos pessoais.

lutero
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Venda de Indulgências nas Ruas da Alemanha

 

As Teses

Em 1517, Lutero quis provocar um debate público sobre a venda de indulgências promovidas pelo Papa Leão X e o arcebispo Alberto de Mogúncia através da Ordem dos Dominicanos. Quando pregou à porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517, o pergaminho com as 95 teses em latim para serem debatidas entre os acadêmicos, conforme o costume da época, não desejava desencadear um movimento na história da igreja. Era o pároco que, com preocupado, via como as almas dos fiéis eram desnorteadas por um grande escândalo, descaradamente apregoado em nome da santa Igreja: a venda do perdão de Deus, como se fosse mercadoria, por meio de cartas de indulgência, cujo lucro se destinava ao término da basílica de São Pedro e à cruzada contra os turcos. Seu principal proclamador era o dominicano Tetzel.
          Eis algumas das teses apresentadas por Lutero: - Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos... etc., pretendia falar da vida interior do cristão que deveria ser um contínuo e ininterrupto arrependimento (Tese I) - Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai dopurgatório (Tese 27) - Todo o cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indigência (Tese 36) - Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências e o próprio papa oferecessem sua alma como garantia (Tese 52) As proposições sobre as indulgências eram completadas por algumas outras, que continham o que viria a ser fundamental na doutrina luterana: - Aos olhos de Deus, não há na criatura senão concupiscências; - Ninguém se salva senão pela graça de Deus através da fé. O efeito dessas teses foi tão inesperado, que elas não ficaram entre os letrados; traduzidas ao alemão, em poucas semanas se espalharam por toda a Alemanha e outras partes da Europa, chegando ao conhecimento do povo em geral.

 

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Lutero Afixando as 95 Teses à porta da igreja do Castelo de Wittenberg (1517)

 

Reação de Roma

95 teses

Em 1518, Roma tratou de liquidar o caso do monge de Wittenberg. Lutero foi chamado para responder processo em Roma, dentro de sessenta dias. Mas, por interferência de Frederico, o Sábio, Príncipe da Saxônia, o Papa consentiu que a questão fosse tratada em Augsburgo, pelo Cardeal Caetano. Este exigia simplesmente que Lutero se retratasse, o que este, naturalmente, não fez. Tinha Lutero nessa época o apoio do capítulo da Ordem dos Agostinhos e do corpo docente da Universidade de Wittenberg. Caetano declararia depois dos três encontros com Lutero: "Ele tem olhos que brilham, e raciocínio que desconcertam".

          O perigo para o agostiniano era iminente. Escapou de um provável atentado, deixando Augsburgo secretamente na noite de 20 para 21 de outubro. No dia 31, exatamente uma ano depois da afixação de suas famosas teses, chegou são e salvo a Wittenberg. Embora tivesse terminado um ano de tremenda luta, declarou estar cheio de “alegria e paz”. Neste espírito esperou para breve a bula de excomunhão, para então sair, como Abraão, “sem saber para onde senão na certeza de que Deus está em toda parte”.

         
         

O Papa temia suscitar oposição cerrada entre os príncipes alemães. Valeu-se, para que isso não acontecesse, da diplomacia. Condecorou o protetor de Lutero, Frederico, o Sábio, com a "Ordem da Rosa Áurea da Virtude" para afastá-lo de Lutero, e enviou o conselheiro Karl von Miltitz.
          A 4 de julho de 1519 defrontou-se com o Dr. Eck para nova discussão na sala repleta do castelo de Pleissenburg. No decorrer da discussão, frei Martinho ousou afirmar que entre as teses de Hus, queimado pela igreja como herege em Constança, em 1415, havia algumas verdadeiramente cristãs. Afirmando ainda, no dia seguinte, que também os concílios podiam errar, como haviam errado, e que em assuntos de fé apenas a Escritura Sagrada é autoridade absoluta, a ponte entre ele e a sua igreja até então havia ruído. Aqui vemos pela primeira vez e douto e o jovem Filipe Melanchthon ao lado de frei Martinho. Desde então Filipe, cognominado Praeceptor Germaniae, foi-lhe fiel amigo, em dias bons e maus.
          De bom ânimo viu frei Martinho o desenrolar dos acontecimentos, embora previsse entrechoques muito graves. Eck afirmou nas suas teses que igreja romana sempre possuiu o primado sobre toda as outras igrejas e que o detentor da cadeira de S. Pedro e da fé deste, sempre foi, como seu sucessor e vigário de Cristo na terra, o pontífice romano. Martinho retrucou: “Que a igreja romana possui o primado sobre todas as outras igrejas procura-se provar pelas decretais papistas mais absurdas, aparecidas no decorrer dos últimos 400 anos, mas é contraprovado pela história de 1000 anos, pelo texto da Escritura Sagrada e pela resolução do venerável concílio de Nicéia”. Não conhecia as graves conseqüências desta sua ousada afirmação. Mais preocupados, porém, ficaram os seus amigos com esta sua declaração, especialmente Spalatino, a quem escreveu: “Deixe que os meus amigos me tenham por louco. Esta questão não terminará (se for de Deus) sem que também os meus amigos me abandonem e fique só a verdade, como Cristo foi abandonado pelas sus discípulos e conhecidos...”

         
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Primeiros Escritos

Em 1520 escreveu três livros fundamentais mostrando o antagonismo do sistema de salvação papal e o ensino bíblico: "À Sua Majestade Imperial e à Nobreza Cristã sobre a Renovação da Vida Cristã",- "Sobre a Escravidão Babilônica da Igreja" e "Da Liberdade Cristã" ' Alguns de seus pensamentos-chave aí registrados são estes: - "0 cristão é um livre senhor sobre todas as coisas e não submisso a ninguém - pela fé"; "o cristão é servidor de todas as coisas e submisso a todos - pelo amor". "Não fazem as boas obras um bom cristão, mas um bom cristão faz boas obras".
          As três obras citadas tornaram-se imortais na grande batalha da restauração da Igreja Cristã. A primeira despertou as consciências, mostrando que bastava de tutela romana para a cristandade do mundo. A segunda deixou patente a impossibilidade de harmonizar a doutrina romana com a Palavra de Deus. Oucom Roma ou com a Bíblia! E a terceira expõe a súmula de toda a vida verdadeiramente cristã. Representa uma prova lapidar de que, pela fé em seu Salvador, o cristão é livre, soberano senhor de si mesmo, a ninguém sujeito, enquanto o amor o constrange a ser servo de todos e a todos submisso.
         Ergueram-se nesta obra as duas colunas sobre que repousa todo o edifício da doutrina evangélica da salvação do homem. Oferece ao mesmo tempo a solução realmente única da vida social dos seres humanos com todos os seus angustiantes problemas. O cristianismo resume-se em fé e amor. Lutero enviou esta obra ao papa.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Excomunhão

A resposta do Papa foi a bula de excomunhão Exsurge Domine. Tinha ainda 60 dias para retratar-se do que havia escrito e ensinado. Em 03 de janeiro de 1521 esgotou-se o prazo dado na bula, sendo então proferido o anátema definitivo, pela bula Decet Romanum Pontificem.
          A 11 de outubro de 1520 afinal chegou-lhe às mãos a bula de excomunhão, trazida de Roma pelo Dr. Eck. Este, satisfeito, a mandou afixar em Halle, Merseburgo, Brandemburgo e outras localidades. Em obediência à bula, as obras de frei Martinho foram queimadas publicamente em Ingolstadt, Colônia Maienca e Antuérpia. Em Erfurt, porém, os estudantes queimaram a bula papal.
          A bula de excomunhão reforçou a sua convicção da verdade da causa que defendia. Convenceu-se ainda mais profundamente da impiedade do papismo. O pontífice não conseguiu pôr o Eleitor em conflito com frei Martinho. Para maior segurança sua, Frederico consultou Erasmo de Rotterdam, homem de extraordinária projeção no mundo intelectual. Erasmo respondeu haver Martinho pecado em dois pontos: “Metendo a mão na coroa do papa e no ventre dos frades.”

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Lutero na Dieta de Worms

Em 1521 reunia-se a primeira Dieta ou Assembléia do império, presidida pelo jovem imperador Carlos V, eleito em 1520, em sucessão a Maximiliano, para dirigir o reino "em que o sol não se punha". Lutero, intimado, compareceu diante da assembléia em 17 de abril de 1521. Perguntado se renunciava ao que tinha escrito, respondeu: "Não posso, nem quero retratar-me, a menos que seja convencido do erro por meio da palavra bíblica ou por outros argumentos claros. Aqui estou; não posso de outra maneira! Que Deus me ajude. Amém".
          O frade excomungado recebeu a intimação cal­mamente. Continuou a pregar quase diariamente até iniciar sua viagem. Os amigos o advertiram seriamente contra o risco de vida que correria, caso fôsse a Worms. Respondeu corajosamente: “Uma vez chamado, quanto depender de mim, mesmo enfermo irei, caso não o puder fazer com saúde, porquanto não devo duvidar de que o Senhor me chama ao faze-lo o imperador. E se usarem de violência, devemos entregar a causa ao Senhor. Ainda vive e reina aquele que conservou os três homens no forno de fogo ardente do rei da Babilônia. Se não quiser conservar a minha cabeça, isso pouco importa”.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Tradução do Novo Testamento

lutero lendo

      Proscrito pelo imperador, foi posto em segurança pelo duque Frederico, através de um seqüestro simulado de cavaleiros embuçados, durante sua viagem de retomo, e escondido no Castelo de Wartburgo, nas proximidades de Eisenach.
          Sua principal realização nesse período foi a tradução do Novo Testamento grego para um alemão fluente de grande aceitação popular. Os primeiros 5 mil exemplares esgotaram-se em 3 meses. Em cerca de dez anos houve 58 edições.
          Em 1522, com risco de vida, reassumiu as funções de professor em Wittenberg. Juntamente com Felipe Melanchthon (cognominado Praeceptor Germaniae - educador da Alemanha), seu grande amigo e colaborador, instruiu centenas de estudantes alemães, boêmios, poloneses, finlandeses, escandinavos.

 

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Guerra dos Camponeses

Marcou o ano de 1525 a Guerra dos Camponeses - uma revolução armada em que os camponeses, sob federação, reivindicaram mais liberdade aos latifundiários. Em seus objetivos políticos sociais idealizaram Martinho Lutero como chefe. Confundiram reivindicações políticas com aspirações religiosas.
          Lutero, embora compreendendo suas necessidades, viu-se forçado a distanciar-se do movimento porque não era política a missão dele. A carnificina, com batalha final em Frankenhausen, trouxe prejuízos ao movimento da Reforma. Mas esta, a despeito de todos os abusos praticados em seu nome, se expandia. Lutero procurava consolidar as igrejas e escolas que haviam aderido à Reforma em território alemão e países vizinhos.

 

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Casamento de Lutero

A igreja tem autoridade para proibir apenas o que Deus proibiu. Não existe uma lei de Deus e outra de sua igreja. A proibição do matrimônio aos ministros da Igreja de forma alguma se enquadra no cristianismo. Paulo mesmo insiste por inspiração divina: “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher... e que governe bem a sua própria casa...”.
          No reconhecimento do erro do celibato obrigatório para os ministros da Igreja, muitos padres casaram-se, como um dos resultados imediatos da Reforma. Frei Martinho ainda não havia dado esse passo. Dada a sua situação, posto da lei, nem pretendia casar-se. Era, porém, chegado o momento em que não mais era possível fugir à função de um lar. Não o fez por rações carnais. Como sempre, ao dar esse importante passo na vida, obedeceu aos ditames da sua consciência. Se havia aprovado outros fazerem uso desta liberdade evangélica, também ele o devia fazer, devia conformar sua própria vida com aquilo que pregava aos outros a respeito do matrimônio. Com isso ao mesmo tempo cumpriria um velho e ardente desejo de seu idoso pai. Só depois de ver casado o filho é que recuperou por completo o amor para com ele. Assim no ano de I525 casou-se com uma ex-freira, chamado Catarina de Bora de 26 anos, de cujo casamento lhes nasceram 6 filhos.

 

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Rosa de Lutero

Símbolos são figuras que expressam verdades e convicções. Uma Cruz, um Coração, uma Rosa Messiânica, um Fundo Azul e um Anel Dourado formam o BRASÃO DE LUTERO. O coração se apega a Cristo, centro da fé e da vida cristã. A fé se reflete em alegria, consolação, paz e esperança, aguardando a realização das promessas de felicidade sem fim, que ainda serão cumpridas. A ROSA DE LUTERO tornou-se um símbolo visual da REFORMA e do LUTERANISMO. Numa noite quente de julho de 1527, encontra a esposa na sala do seu lar. Catarina bordava o brasão de Lutero.

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Culto e Liturgia

De 1527 a 1529 esteve empenhado na organização da Igreja Evangélica. Compositor e poeta, compôs trinta e sete hinos. Cabe-lhe a celebridade de popularizar o Lied eclesiástico. Era também conhecido como o "Rouxinol de Wittenberg".
          Traduziu a ordem da missa para o alemão - Deutsche Messe 1526 - a partir do que os cultos passaram a ser celebrados na língua do povo, e não no latim que ninguém entendia.

 

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Os dois Catecismos

Em 1529 redigiu dois manuais de instrução, até hoje em uso nas igrejas luteranas: "Catecismo Menor" e "Catecismo Maior". Os dois volumes apresentam, em seis partes, um sumário da doutrina cristã. O primeiro é escrito, especialmente, para as crianças; o segundo, para os pais. Justificando, o Reformador afirma: "A lamentável e mísera necessidade experimentada recentemente, quando também fui visitador, é que me obrigou e impulsionou a preparar este Catecismo ou doutrina cristã nesta forma breve, simples e singela. Meu Deus, quanta miséria não vi! O homem comum simplesmente não sabe nada da doutrina cristã, especialmente nas aldeias".
          Numa outra oportunidade afirma: "Eu também sou doutor e pregador, e, na verdade, tenho de continuar diariamente a ler e estudar, e ainda assim não me saio como quisera, e devo permanecer criança e aluno do Catecismo".
          O Catecismo Maior deveria prestar um auxílio eficaz aos pastores no preparo dos sermões prescritos. Lutero mesmo intitula esta obra: “Doutrina para as crianças e os simples”. Embora, já o próprio Lutero reconheceu em breve, que ao lado desta obra volumosa doutrinária seria necessário um livinho de ensino mais modesto. Por isto escreveu, pouco depois, o “Catecismo Menor” que em forma de perguntas e respostas, inveterou-se nos corações de inúmeros cristãos evangélicos. Segundo a intenção original do seu autor, o Catecismo não serviria como livro escolar e de doutrina no sentido moderno. Lutero pensou em primeiro lugar nos pais aos quais queria oferecer um meio eficiente para o ensinamento dos filhos e outros familiares. Foi essa uma das razões porque o livrinho foi editado, em janeiro e março de 1529, em forma de folhas avulsas e somente em maio do mesmo ano em forma de livro.

 

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Somente a Escritura

biblia

        Em 1529 realizou-se, no mês de outubro, um encontro entre Ulrico Zwínglio e Lutero para um debate doutrinário, denominado Colóquio de Marburgo, uma controvérsia eucarística. O pregador Zwínglio, que vivia na Suíça, também reconhecera a apostasia da igreja romana, pregando a Palavra e testemunhando contra as indulgências.

          Diferia, no entanto, da doutrina de Lutero e a discrepância básica resumia-se na pergunta: Os artigos de fé devem basear-se exclusivamente na Palavra de Deus ou também na razão humana? Não chegaram a um acordo, visto que a resposta de Lutero não admitia dúvida: A Escritura, e nada além dela, é fonte de artigos de fé, como também, mais tarde, a Fórmula de Concórdia o expressa: "Cremos, ensinamos e confessamos que somente os escritos proféticos e apostólicos do Antigo e do Novo Testamento são a única regra e norma segundo a qual devem ser ajuizadas e julgadas igualmente todas as doutrinas e todos os mestres".

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Lutero e Felipe Melanchthon

Confissão de Augsburgo

  Auxiliou o duque João Frederico a delinear sua estratégia em relação à Dieta de Augsburgo (l53O), convocada Pelo imperador para superar o cisma, Acompanhou a redação, por Felipe Melanchthon, duma defesa oficial, que veio a chamar-se Confissão de Augsburgo.
          O documento - a primeira e mais notável das confissões evangélicas - foi lido em público à assembléia imperial, em nome de príncipes e cidades partidárias da Reforma, a 25 de junho de 1530. Era Composto o documento de duas partes: uma, dogmática; outra, apologética.
          Argumentavam na Confissão que, quanto à doutrina, continuavam fiéis ao que a igreja vinha ensinando à base das Escrituras Sagradas, conforme os Credos Apostólico e Niceno; com respeito ao culto, mantinham os ritos antigos consentâneos ao evangelho, cancelando apenas aqueles costumes, ritos e cerimônias que obscureciam a glória de Jesus Cristo como o único Mediador entre Deus e Os homens. Reivindicaram, por conseguinte, o direito de conviver em Paz com o papa e os bispos no seio da igreja do império.
          O imperador, ouvida a Confissão, determinou que os teólogos de Roma elaborassem a Confutação Católica à confissão de Augsburgo. A 03 de agosto fez-se a leitura desta. Não terminava ainda a apresentação de confissões religiosas, e Lutero e Melanchthon responderam à Confutação com a Apologia da Confissão de Augsburgo, de alto valor teológico, mas da qual a Dieta não quis tomar conhecimento. A Dieta lhes concedeu o prazo até 15 de abril de 1531 para voltarem ao seio da igreja romana e exigiu rigoroso cumprimento do Édito de Worms.
          Embora desaconselhados por Lutero, constituiu-se em fevereiro de 1531 uma poderosa agremiação política dos príncipes luteranos, denominada "Lida de Esmalcalde". Porém, em vista do perigo dos turcos às portas do império, em Viena, o imperador dependia do auxilio militar dos príncipes evangélicos; por isso, pela Paz de Nüremberg, para a qual Lutero muito contribuiu, em 1532, permitiu aos adeptos da Confissão de Augsburgo a persistirem nas suas doutrinas e concedia-lhes ainda outros privilégios. Essa tolerância seria dada até a realização de um concílio da igreja.

 

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Tradução do Antigo Testamento

Não houve, assim, apesar dos esforços, uma maneira de restabelecer a unidade na igreja e no império. Em 1534 Lutero terminava uma tarefa em que havia trabalhado mais de 10 anos: a tradução do Antigo Testamento para o alemão. No mesmo ano pode-se publicar, então, a Bíblia completa.
          Em 1536 Lutero redigiu, por solicitação do duque João da Saxônia, artigos para serem apresentados num "Concilio geral livre" convocado pelo Papa. Os Artigos de Esmalcalde, porém, não chegaram a ser apresentados.
          Os líderes evangélicos concluíram que o concilio não seria livre e se negaram a participar do Concílio de Trento (l545 - 1563), que desencadeou a contra-reforma, no pontificado de Paulo III.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Paz de Augsburgo

A Paz de Augsburgo, em 1555, atendeu, de certa forma, aos reclamos dos evangélicos. Substituiu a tolerância religiosa nestes termos: os príncipes e cidadãos do império respeitariam a filiação religiosa de cada um, e o povo teria a opção de adotar a confissão religiosa do respectivo domínio ou de emigrar a território que tivesse a confissão desejada.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Morte de Martinho Lutero

Martinho Lutero faleceu aos 62 anos de idade, em 18 de fevereiro de 1546, em sua cidade natal, Eisleben, depois de solucionar um litígio entre os condes de Mansfeld. Ora deitado e ora andando, falou muito da morte, da vida futura e do reencontro. E antes de recolher-se, admoestou os amigos a orarem em favor de Evangelho, para que tivesse livre curso, porquanto o concílio de Trento estava muito com ele. Voltando-se para Justo Jonas, expressou se desta maneira: “Nasci e fui batizado aqui em Einleben. Como seria se aqui ficasse?” Ao retornar ao seu aposento, sentiu forte dor no peito e orou nas palavras do Salmo: “Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me remiste, Senhor Deus da verdade.” Depois de se lhe haver feito fricções com panos quentes e o conde Alberto lhe ter dado uma dose de remédio, ainda andou um pouco e em seguida deitou-se e dormiu até uma hora da madrugada. Acordou com novas dores violentas no peito e não mais suportou o leito. Enquanto isso mandaram chamar os dois médicos da cidade, o pastor Coelius e o conde Alberto. Chegaram também para junto dele o jovem teólogo João Aurifaber, o tabelião, a esposa dês-te, o conde Alberto e esposa e o conde de Schwarzburgo com sua esposa. A esposa do conde Alberto friccionou-lhe o pulso. Os dois filhos Martinho e Paulo passaram a noite à cabeceira do pai. Preferiu então sua última e extensa oração: “O meu Pai celestial, Deus de toda a consolação! Graças te dou porque me revelaste o teu Filho Jesus Cristo, no qual creio, ao qual preguei e confessei, ao qual amei e louvei, ao qual todos os ímpios perseguem e blasfemam. Rogo-te, ó Jesus Cristo, que me permitas recomendar-te a minha alma. O Pai celestial, embora tenha que deixar este corpo e ser arrancado desta vida, ainda assim tenho certeza de que deverei ficar contigo eternamente e de que ninguém me poderá arrebatar das tuas mãos.”
          Pronunciou ainda, entre outras passagens bíblicas, três vezes o versículo: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Em seguida brotou-lhe o suor no rosto. Os amigos julgaram ser sinal de melhora. Respondeu-lhes: “É o frio suor da morte; entregarei o meu espírito. “ Mais uma vez a condessa de Mansfeld friccionou-lhe o pulso e deu-se-lhe outra dose de remédio, ao que pronunciou rapidamente, em latim, as palavras: “Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me redimiste, Senhor Deus da verdade”. Silenciou, até que Jonas e Coelius lhe perguntaram no ouvido, em alta voz: “Reverendíssimo pai, quereis morrer confiantes em vosso Senhor Jesus Cristo e confessar a doutrina que pregaste em seu nome?” O moribundo batalhador respondeu distintamente: ”Sim!” Em seguida virou-se para um lado e aparentemente adormeceu. Depois de alguns instantes o seu rosto revestiu-se de palidez mortal. Com um profundo suspiro adormeceu serenamente, Quinta-feira, a 18 de fevereiro de 1546, às 2,45 horas da madrugada. Como todos Os homens, também frei Martinho foi pecador. Como seu querido apóstolo Paulo, julgou-se o maior dentre os pecadores. E porque pecador, cumpriram-se também para com ele as palavras do Senhor: Pulvis es et in pulverem reverteris”. Ao mesmo tempo, porém, cumpriram-se estas outras palavras do Salvador para com ele: “Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte, eternamente”.
          Com grande cortejo fúnebre e ao som de todos os sinos, Lutero foi sepultado sob as lajes da igreja do Castelo de Wittenberg, onde sempre pregava o evangelho.

 

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Contra-Reforma

A Contra-reforma, liderada pela ordem dos jesuítas, reconquistou vários territórios que tinham aderido à Reforma. Não obstante, a doutrina, o culto e a piedade preconizados por Lutero se enraizaram na Alemanha, nos países bálticos, nos países escandinavos e na Finlândia. Através doutros reformadores, foram acolhidos na França, Inglaterra, Escócia e Países ' Baixos. Em todos estes países, a Reforma ocasionou extraordinário desenvolvimento cultural, notadamente na educação, ciência, economia e política.
          Pela emigração, os "Luteranos" se espalharam por todos os continentes. Frade, sacerdote, professor, doutor em Teologia, pregador considerado o primeiro de seu tempo, escritor vigoroso e de grande riqueza lexicografia, fixador da língua alemã, poeta e músico, Lutero abalou o mundo de seus dias e sobre ele se tem pronunciado. Citado o juízo dos séculos.

 

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Pronunciamentos sobre Lutero

O historiador Schaff diz que "este foi o maior homem que a Alemanha produziu e um dos maiores vultos da história".
          Goethe dá o seu testemunho nestes termos: 'Dificilmente compreendemos o que devemos a Lutero e à Reforma em geral. Ficamos livres dos grilhões da estreiteza espiritual (... ) compreendemos o cristianismo em sua pureza". .
          Heinrich -Heine, o poeta excelso, exclama: "Honra a Lutero, a quem devemos a reconquista dos nossos direitos mais sagrados, e de cujos benefícios vivemos hoje em dia. Através de Lutero adquirimos a liberdade religiosa. Criou a palavra para o pensamento. Criou a língua alemã, através da tradução da Bíblia":
          Dollinger, historiador católico liberal, diz: "Lutero deu aos alemães o que nenhum outro jamais dera a seu povo: a língua, a Bíblia, a hinologia..." É reconhecido como "pai da alfabetização". Dirigiu-se aos pais através de profusas publicações, encarecendo-lhe a escola e a educação dos filhos como necessidade inadiável, para a pátria e a igreja verem melhores dias.
          Um escritor moderno declarou: "A Lutero deve a Alemanha seu esplendido sistema educacional - em suas origens e concepções. Porque ele foi o primeiro a reclamar uma educação universal, uma educação do povo todo, sem consideração de classe". Deixou à posteridade, em sua fecundidade literária, dezenas de volumes contendo obras doutrinárias, apologéticas, exegéticas, homiléticas, pastorais e pedagógicas.
          Funck-Brentano, célebre historiador contemporâneo assim se expressa: "Qualquer que seja o julgamento formulado em torno da doutrina religiosa de Martinho Lutero, é preciso reconhecer nele uma das mais poderosas personalidades que o mundo conheceu. Sua energia, seu valor, sua poderosa ação - que decorriam em grande parte da intensidade de suas convicções - estão acima de todo elogio.
          Calculou-se que seriam precisos a um homem dez anos de vida para simples cópia das cartas, orações e inumeráveis escritos do reformador, e Lutero não só redigiu suas obras, mas pensou-as, deu-lhes estudo e reflexões, corrigiu-as, e isso entre ocupações múltiplas, quase sempre absorventes e das mais diversas, suas prédicas, sua atividade social e política, os cuidados e o tempo que consagrou aos antigos e à família" (Martim Lutero, pág. 22, Ed Veccki).
          Dezenas de testemunhos dessa natureza poder-se-ia acrescentar à sua pessoa. Os exemplos citados, porém, exemplificam o veredito sobre sua pessoa e a obra deixada até os nossos dias atesta a sua grandiosidade.

 

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Datas Históricas do Século de Lutero

148 10/1 1 — Nascimento de Lutero, em Eisleben, Alemanha; pais: Hans e Margarethe.
1484 — Pais de Lutero mudam para Mansfeld
1488 — Lutero entra na escola em Mansfeld
1492 — Descobrimento da América por Cristóvão Colombo
1497 — Lutero, aos 14 anos, estuda em Magdeburg
1497 16/2 — Nasce Filipe Melanchthon, amigo e auxiliar de Lutero
1499 29/5 — Nasce Catarina de Bora, futura esposa de Lutero
1500 22/4 — Descobrimento do Brasil, por Pedro Álvares Cabra 1
1501 maio — Lutero estuda em Erfurt, 1º contacto com a Bíblia
1502 29/9 — Lutero recebe o título de Bacharel em Artes
1505 7/1 —Lutero recebe o título de Mestre em Artes
1505 2/7 —Lutero decide ser monge
1505 17/7 —Lutero entra no mosteiro dos agostinianos em Erfurt
1507 2/4 —Lutero como sacerdote, oficia a 1º Missa
1508 out. —Lutero torna-se Prof. em Wittenberg
1509 —Lutero inicia suas lições sobre a Bíblia
1510 — Lutero vai a Roma
1512 9/10 — Lutero recebe título de Doutor em Teologia
1513 6/8 — Lutero expõe os Salmos
1515 Páscoa — Lutero expõe Romanos
1516 27/10 — Lutero expõe Gálatas
1518 Pásc. — Lutero expõe Hebreus
1516 — Erasmo edita o Novo Testamento Grego
1517 31/10 — Lutero fixa as 95 teses; início da Reforma
1518 26/4 — Lutero disputa em Heidelberg
1519 4-14/7 — Lutero disputa com Dr. Eck, em Leipzig
1520 agosto — Lutero se dirige, em carta, à Nobreza Alemã
1520 6/10 — Escreve o tratado “Do Cativeiro Babilônico”
1520 10/10 — Queima da Bula papal “Exsurge Domine”
1521 27/1 — Abertura da Dieta de Worms
1521 16/4 — Lutero entra em Worms
1521 17/4 — 1ª audiência de Lutero diante do imperador Carlos V, em Worms
1521 18/4 — 2ª audiência de Lutero diante da Dieta de Worms
1521 26/4 — Lutero deixa Worms
1521 4/5 — Lutero é “raptado” e escondido no castelo de Wartburg
1522 1-6/3 — Lutero deixa o castelo de Wartburg e vai a Wittenberg
1522 set. — Lutero edita o Novo Testamento em língua alemã
1523 Pent. — Lutero edita “Da Ordem do Culto’
1524-25 — Guerra dos colonos
1525 13/6 — Lutero casa com Catarina de Bora
1527 — Lutero compõe o hino “Castelo Forte” (1528?)
1529 — Lutero edita, em janeiro, o Catecismo Menor e em abril, o Catecismo Maior
1529 1-3/10 — Disputa com Zwinglio
1530 16/4-4/10 — Lutero em Coburg
1530 20/1-19/11 — Dieta de Augsburgo
1530 25/6 — Leitura da Confissáb de Augsburgo
1531-45 — Lutero escreve o comentário sobre Gálatas
1531 —Melanchthon escreve a Apologia da Confíssão de Augsburgo
1534 — Edição da Bíblia completa em língua alemã, tradução de Lutero
1537 — Lutero lança os Artigos de EsmalcaIde
1546-63 — Concilio de Trento
1546 18/2 — Morte de Lutero
1580 25/6 — Edição do Livro de Concórdia, que contém todas as Confissões Luteranas; traduzido e lançado no Brasil em 25/06/1980.
 
 
 
 
Observação: Trabalho realizado por Jacson Luis Müller em abril de 2001 com o professor Walter O. Steyer.

Bibliografia
GREINER, Albert. Martim Lutero, Um apaixonado pela verdade. São Leopoldo, Editora Sinodal, 1987.
HASSE, R. F. Frei Martinho, Restaurador da verdade Eterna. Porto Alegre, Editora Concórdia, 1969.
HESSE, Walter. Lutero visto por uma Amigo. Porto Alegre, Editora Concórdia. 1983.
WEBER, B. Lutero e a reforma. São Leopoldo, Editora Sinodal, 1967.